25 fevereiro 2009

POESIA NO AR - POESIA DE CAFÉ


Sexta (dia 27), pelas 21.30 - Ar de Café (Ermesinde)

Entre outras vozes: p
oesia dita por Luís Filipe Carvalho
Música - Carlos Andrade (voz e guitarra acústica)

O Ar de Café fica na Rua de Goa nº 109, em Ermesinde.
Para saber como chegar e outras informações: 93 256 6517
Ou então, ver o mapa de como chegar a partir do Porto - Aliados (ou escolher outro local de origem), ao clicar AQUI

QUARTAS MALDITAS - GATOS


Hoje, Quarta, 22.00 h
Clube Literário do Porto
(clicar para ver contactos e localização)

Tema: Gatos Gatos Gatos
(poemas sobre gataria)



Convidados:
Graça Marto
(pintora, autora de colectânea de textos sobre animais e fundadora do MIDAS); Rosa Brandão (pianista, dirigente da SOS AniArouca)

Leitores e colaboradores:
Anthero Monteiro (coordenação); António Pinheiro; Diana Devezas; Isabel Marcolino; Luís Carvalho; Mário Vale Lima; Rafael Tormenta


Poesia. Música. Conversa.
Entrada gratuita.

18 fevereiro 2009

A DÉBIL


Eu, que sou feio, sólido, leal,
A ti, que és bela, frágil, assustada,
Quero estimar-te sempre, recatada
Numa existência honesta, de cristal.

Sentado à mesa dum café devasso,
Ao avistar-te, há pouco, fraca e loura,
Nesta Babel tão velha e corruptora,
Tive tenções de oferecer-te o braço.

E, quando socorreste um miserável,
Eu, que bebia cálices de absinto,
Mandei ir a garrafa, porque sinto
Que me tornas prestante, bom, saudável.

"Ela aí vem!" disse eu para os demais;
E pus-me a olhar, vexado e suspirando,
O teu corpo que pulsa, alegre e brando,
Na frescura dos linhos matinais.

Via-te pela porta envidraçada;
E invejava, — talvez que não o suspeites! -
Esse vestido simples, sem enfeites,
Nessa cintura tenra, imaculada.

Ia passando, a quatro, o patriarca.
Triste eu saí. Doía-me a cabeça.
Uma turba ruidosa, negra, espessa,
Voltava das exéquias dum monarca.

Adorável! Tu, muito natural,
Seguias a pensar no teu bordado;
Avultava, num largo arborizado,
Uma estátua de rei num pedestal.

Sorriam, nos seus trens, os titulares;
E ao claro sol, guardava-te, no entanto,
A tua boa mãe, que te ama tanto,
Que não te morrerá sem te casares!

Soberbo dia! Impunha-me respeito
A limpidez do teu semblante grego;
E uma família, um ninho de sossego,
Desejava beijar sobre o teu peito.

Com elegância e sem ostentação,
Atravessavas branca, esbelta e fina,
Uma chusma de padres de batina,
E de altos funcionários da nação.

"Mas se a atropela o povo turbulento!
Se fosse, por acaso, ali pisada!"
De repente, paraste embaraçada
Ao pé dum numeroso ajuntamento.

E eu, que urdia estes fáceis esbocetos,
Julguei ver, com a vista de poeta,
Uma pombinha tímida e quieta
Num bando ameaçador de corvos pretos.

E foi, então, que eu, homem varonil,
Quis dedicar-te a minha pobre vida,
A ti, que és ténue, dócil, recolhida,
Eu, que sou hábil, prático, viril...


Cesário Verde

Imagem: Rachel Warner (Cincinnatti, Ohio, EUA)

11 fevereiro 2009

POESIA DE CHOQUE - SESSÃO Nº2


Sexta (dia 13), 21.30 h, no Clube Literário do Porto

"A poesia não tem que ser a poesia dos prémios nem das honras nem das solenidades. Essa poesia existe. Respeitamo-la, mas não é dela que vamos tratar. Vamos tratar da poesia que incomoda, que se diz e se escreve a gritar, da poesia que vai contra a norma, da poesia daqueles que não se conformam com um mundo único e irreversível. Vamos tratar da poesia que fala do amor mas não o amor ingénuo e previsível, do amor como urgência do ser humano íntegro e integral. Vamos tratar da poesia que fala da liberdade sem limites, absoluta, da liberdade livre da criação. Vamos tratar da poesia que canta o decadente, o maldito, aquele que vive como poeta para lá das convenções, para lá das linhas rectas."

Projecto de A. Pedro Ribeiro e Luís Carvalho.
Música por um convidado.
Apareçam, se puderem.

ONDA POÉTICA - AMOR...UM NÃO SEI QUÊ

Quinta, dia 12 (amanhã), 21.30 h
Sala das sessões da Junta de Freguesia de Espinho

Sessão nº120
Leitura de poemas pelos participantes
Interlúdios musicais: David e Bruno Rodrigues


Para ver morada e contactos da Junta, clicar AQUI
Para ver localização na cidade de Espinho, clicar AQUI
Para ver horários de comboios a partir do Porto ou Aveiro, clicar AQUI

05 fevereiro 2009

POESIA NO AR - O NOSSO DEVER FALAR


Esta Sexta, pelas 21.30 h - Ar de Café (Ermesinde)
.
Entre outras vozes: poesia dita por Luís Filipe Carvalho
Música - Carlos Andrade (voz e guitarra acústica)
.
.
O Ar de Café fica na Rua de Goa nº 109, em Ermesinde.
Para saber como chegar e outras informações: 93 256 6517
Ou então, ver o mapa de como chegar a partir do Porto - Aliados (ou escolher outro local de origem), ao clicar AQUI

26 janeiro 2009

QUARTAS MALDITAS - PREDILECÇÕES


Quarta, 22.00 h
Clube Literário do Porto
(clicar para ver contactos e localização)

Tema: Predilecções (poemas da predilecção dos colaboradores e convidados)


Convidados: Minês Castanheira (poeta); José Veloso Rito (pianista)

Leitores e colaboradores:
Anthero Monteiro (coordenação); António Pinheiro; Diana Devezas; Isabel Marcolino; Luís Carvalho; Mário Vale Lima; Rafael Tormenta


Poesia. Música. Conversa.
Entrada gratuita.

15 janeiro 2009

POESIA DE CHOQUE

Esta Sexta, 21.30 h, Clube Literário do Porto (clicar para ver localização)

"A poesia não tem que ser a poesia dos prémios nem das honras nem das solenidades. Essa poesia existe. Respeitamo-la, mas não é dela que vamos tratar. Vamos tratar da poesia que incomoda, que se diz e se escreve a gritar, da poesia que vai contra a norma, da poesia daqueles que não se conformam com um mundo único e irreversível. Vamos tratar da poesia que fala do amor mas não o amor ingénuo e previsível, do amor como urgência do ser humano íntegro e integral. Vamos tratar da poesia que fala da liberdade sem limites, absoluta, da liberdade livre da criação. Vamos tratar da poesia que canta o decadente, o maldito, aquele que vive como poeta para lá das convenções, para lá das linhas rectas."

Bukowski, Nietzsche, Baudelaire, Sá-Carneiro, Pessanha, Condinho, Artaud, Morrisson, Cesariny, Campos e muitos mais.
Projecto de A. Pedro Ribeiro e Luís Carvalho.
Apareçam, se puderem.

14 janeiro 2009

MELOPEIA PARA UM FUTURO TALVEZ SIM


Um dia destes abrir-se-ão as portas
e entraremos todos na cidade
Um dia destes teremos um domingo
e haverá água límpida e potável

Um dia destes contaremos contos
de terrores antigos de perseguições
e poremos os verbos no passado
felizes de escaparmos ao massacre

Um dia destes o silêncio quebrará
para sair uma canção de amor
Um dia destes a noite abrir-se-á
e tu serás o rosto descoberto

Um dia destes poremos no zoológico
os últimos hipopótamos da cidade
e cortaremos o resto dos tentáculos
que nos mantêm à mercê do grande polvo

Um dia destes as palavras serão públicas
e não escreverão penas de morte
não servirão para mentir atraiçoar
para ferir os amigos ou matá-los

Um dia destes construiremos um museu
com os retratos do medo e da tortura
do diabo do crime da miséria
na galeria dos antepassados

Um dia destes teremos tempo de juntar
os bocados de nós próprios e colá-los
Um dia destes não seremos obrigados
a sempre recusar de mão fechada

Um dia destes tu serás tangível
e os meus dedos poderão desapertar-te
Um dia destes os quatro cavaleiros
estarão na cadeia sem cavalos

Um dia destes não será com juras
clandestinas que a esperança se fará
Um dia destes a fome não poderá
comprar de novo lâminas de barba

Um dia destes abrir-se-ão as portas
e dançaremos nas ruas da cidade
Um dia destes beberemos todos
a cerveja da alegria e da amizade

Um dia destes secarão as lágrimas
e teremos cartas vindas da Europa
Um dia destes a vida será fértil
e o dia seguinte estará sempre aberto

Meus amigos meu amor
Um dia destes...



Egito Gonçalves
.
Fotografia: Aurora Boreal, no Alasca.
.
NOTA: Não resisti a colocar este fantástico poema de esperança, num começo de novo ano em que, em todos os quadrantes, se fala apenas de perspectivas negativas. Haverá um dia destes. É preciso acreditar.

22 dezembro 2008

DIA DE NATAL


Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem
para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes
.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(
Vossa Excelência verificou a hora exacta
em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente
um relógio de pulso antimagnético)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos
que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal,
de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha
pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

Jesus
o doce Jesus,
o mesmo que nasceu na manjedoura,
veio pôr no sapatinho
do Pedrinho
uma metralhadora
.

Que alegria
reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
fuzilava tudo com devastadoras rajadas
e obrigava as criadas
a caírem no chão como se fossem mortas:
Tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá!


Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
fingiam
que caíam
crivados de balas.


Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas
...


António Gedeão

(como sempre, algumas separações de versos e negritos da minha responsabilidade, para cópia completamente fiel consultar sempre o original)

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