04 dezembro 2008

NOITES DE INQUIETAÇÃO (POESIA)

Amanhã, dia 05, pelas 21.30 h,
comigo e o grande amigo e músico Carlos Andrade.

A sessão poético-musical terá lugar na sede da AJA - Norte
(Rua do Bonjardim, 631 - 1º dtº tras., em frente à esquina do Big Ben, junto ao JN)
Cilcar aqui para ver onde fica

25 novembro 2008

QUARTAS MALDITAS - CAFÉS DA MINHA PREGUIÇA

Amanhã (dia 26 Novembro), 22 h - Clube Literário do Porto

Mais uma sessão das Quartas MalDitas.
Tema: Cafés da minha preguiça (poesia de café, sobre cafés e afins)
Convidados: Manuel António Pina (poeta); Álvaro Magalhães (poeta); Tomás Magalhães Carneiro (editor da revista UM CAFÉ)


Poemas ditos pelo coordenador (Anthero Monteiro), pelos residentes habituais (António Pinheiro, Isabel Marcolino, Luís Carvalho, Mário Vale Lima, Marta Tormenta, Rafael Tormenta) e ainda por A. Pedro Ribeiro, e pelos convidados.

Como sempre poesia, animação e conversa com entrada gratuita.
Para saberem onde fica o local, morada e contacto telefónico, clicar AQUI

20 novembro 2008

TURISMO


Visitar este país
até à última gota:
O porco e o Porto
A bola e a bolota
O que é como quem diz
itinerar a derrota

Tudo tem lugar no mapa
Paris, Washington, Moscovo
Em Itália vê-se o Papa
Em Lisboa vê-se o povo.

Welcome, Bienvenus,
Salud, Willkommen,
Viva

A sífilis saúda-vos
saúda-vos a estiva
desta carga de heróis
em carne viva

nociva mas barata
vindes matar a sede com uva
beber o sumo de ócio
que nos mata


Desemborcais nos cais
Desembolsais de mais
mas não sabeis
as coisas viscerais
as coisas principais
deste país azul
com mais hotéis do que hospitais
talvez por ser ao sol
talvez por ser ao sul.

Aqui ao pé do mar
bordamos a tristeza

as toalhas de mão
as toalhas de mesa
que levais para casa
Souvenir
deste povo sem pão
que se cose a sorrir.

Aqui ao pé do rio
gememos a saudade

nosso fado submisso
nossa água a correr.
Canção de mal devir
Souvenir Souvenir
deste povo de trégua
que se canta a morrer.

Aqui ao pé do vento
forjamos o lamento

dum país que se vende
a peso nos prospectos

tanto de sol ardente
tanto de cal fervente
e uma nódoa de céu
nos xailes pretos.


Aqui ao pé do fel
gritamos o segredo

do que parece fácil
neste país de luz:

é apenas a fome.
É apenas o medo.
É apenas o sangue.
É apenas o pus.




José Carlos Ary dos Santos
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Fotografia: praia algarvia por Steve Woods (Colchester, Reino Unido)

11 novembro 2008

POESIA - ONDA POÉTICA Nº118

13 Novembro (Quinta), 21.30 h
Sala das sessões da Junta de Freguesia de Espinho


Onda Poética
(sessão nº118)
Subordinada ao tema
Sortilégios da Noite.


Música a cargo do grupo de baladas Nostalgia.

Para ver morada e contactos da Junta, clicar AQUI
Para ver localização na cidade de Espinho,. clicar AQUI
Para ver horários dos comboios para Espinho a partir do Porto ou Aveiro, clicar AQUI
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Apareçam se puderem. Serão bem recebidos.

03 novembro 2008

PORTUGAL


Portugal
Eu tenho vinte e dois anos
e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião
fosse combater os infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença
que lhe atacava os órgãos genitais,
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira,
que o Infante D. Henrique
foi uma invenção do Walt Disney
e o Nuno Álvares Pereira
uma reles imitação do Príncipe Valente

Portugal
Não imaginas o tesão que sinto
quando ouço o hino nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer
que nos espera um futuro de rosas...

Portugal
Um dia fechei-me no Mosteiro dos Jerónimos
a ver se contraía a febre do Império
mas a única coisa que consegui apanhar foi um resfriado
Virei a Torre do Tombo do avesso
sem lograr encontrar uma pétala que fosse
das rosas que Gil Eanes trouxe do Bojador

Portugal
Se tivesse dinheiro comprava um Império e dava-to
Juro que era capaz de fazer isso só para te ver sorrir

Portugal
Vou contar-te uma coisa que nunca contei a ninguém
Sabes
Estou loucamente apaixonado por ti
Pergunto a mim mesmo
Como me pude apaixonar por um velho decrépito e idiota como tu
mas que tem o coração doce
ainda mais doce que os pastéis de Tentúgal
e o corpo cheio de pontos negros
para poder espremer à minha vontade

Portugal
Estás a ouvir-me?
Eu nasci em mil novecentos e cinquenta e sete,
Salazar estava no poder
nada de ressentimentos
O meu irmão esteve na guerra, tenho amigos que emigraram
nada de ressentimentos
um dia bebi vinagre
nada de ressentimentos

Portugal
depois de ter salvo inúmeras vezes os Lusíadas a nado
na piscina municipal de Braga
ia agora propor-te um projecto eminentemente nacional
Que fôssemos todos a Ceuta
à procura do olho que Camões lá deixou

Portugal
Sabes de que cor são os meus olhos?
São castanhos como os da minha mãe

Portugal
gostava de te beijar muito
apaixonadamente
na boca...



Jorge de Sousa Braga
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(poeta e tradutor que já tive o prazer de conhecer nas sessões mensais que levamos a cabo às Quartas MalDitas)

20 outubro 2008

POESIA - QUARTAS MALDITAS

Clube Literário do Porto, Quarta (dia 22), pelas 22 h
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Poeta Convidado:
Daniel Maia-Pinto Rodrigues
Piano: José Veloso Rito
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Tema desta sessão:
Dióspiro & Outros Frutos

Coordenação/ leituras: Anthero Monteiro
Leituras: António Pinheiro, Isabel Marcolino, Joana Padrão, Luís Carvalho, Mário Vale Lima, Marta Tormenta e Rafael Tormenta e pelo próprio Daniel Maia-Pinto Rodrigues
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Como sempre, as Quartas MalDitas (às quartas Quartas de cada mês), constam de poesia, música, entrevistas, conversa, debate e convívio. Entrada gratuita. Apareçam se puderem.

Para saberem onde fica, contacto telefónico, e-mail, mapa, etc, clicar AQUI

17 outubro 2008

O INFERNO


Debrucei-me à janela do inferno
e não vi nada que me horrorizasse;
pareceu-me um lugar igual aos outros,
cheio de gente e coisas. E alguém
do inferno me disse para entrar.
Não me lembro quem era ou se eram vários,
nem o que me disseram lá de dentro,
ou se essas pessoas sorririam,
se haveria alguém a lamentar-se
ou se desconfiei por um momento.
Fui e achei a porta do inferno,
abri a porta do inferno, entrei,
desde essa hora vivo no inferno.
É um lugar igual a qualquer outro,
cheio de gente e coisas. Todavia
sei que não pode ser senão o inferno
porque neste lugar não estás comigo.
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Amalia Bautista
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Imagem: Joël Dietlé (Estrasburgo, França)
(poema enviado por uma amiga a quem agradeço sinceramente a generosa partilha)
Sobre a autora: Nasceu em Madrid em 1962. Jornalista de formação, trabalhou como redactora no gabinete de imprensa do Conselho Superior de Investigações Científicas. Publicou diversos livros de poesia (o primeiro data de 1985), e podem-se encontrar poemas seus em diversas antologias.

10 outubro 2008

EU SEI, NÃO TE CONHEÇO MAS EXISTES


Eu sei, não te conheço mas existes.
por isso os deuses não existem,
a solidão não existe
e apenas me dói a tua ausência
como uma fogueira
ou um grito.

Não me perguntes como mas ainda me lembro
quando no outono cresceram no teu peito
duas alegres laranjas que eu apertei nas minhas mãos
e perfumaram depois a minha boca.

Eu sei, não digas, deixa-me inventar-te.
não é um sonho, juro, são apenas as minhas mãos
sobre a tua nudez
como uma sombra no deserto.
É apenas este rio que me percorre há muito
e desagua em ti,
porque tu és o mar que acolhe os meus destroços.
É apenas uma tristeza inadiável,
uma outra maneira de habitares
em todas as palavras do meu canto.

Tenho construído o teu nome com todas as coisas.
tenho feito amor de muitas maneiras,
docemente,
lentamente
desesperadamente
à tua procura, sempre à tua procura
até me dar conta que estás em mim,
que em mim devo procurar-te,
e tu apenas existes porque eu existo
e eu não estou só contigo
mas é contigo que eu quero ficar só
porque é a ti,
a ti que eu amo.


Joaquim Pessoa
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Imagem: Ali Farid (Las Vegas, Nevada, E.U.A)
Sobre o autor: nasceu em 1948. Poeta, pintor e publicitário, colaborou na revista Vértice e no Suplemento Cultural do Diário de Lisboa. Inicialmente, a sua obra começou ligada à sua militância comunista e à revolução de Abril de 74. Os temas preferidos são o amor e a denúncia social. Foi Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores com O Livro da Noite (1982).

07 outubro 2008

POESIA - REGRESSO DA ONDA POÉTICA

09 de Outubro (esta Quinta) - 21.30 h
Sala das Sessões da Junta de Freguesia de Espinho

Regresso da Onda Poética, em novo espaço e às 2as. Quintas-Feiras de cada mês (mantendo-se na cidade de Espinho).

Sessão de poesia subordinada ao tema Maldita Poesia. Música a cargo do grupo Vozes Trinadas

Para visualizar a morada e contactos da Junta de Freguesia, clicar aqui ...... Para ver mapa de localização da sessão na cidade de Espinho, clicar aqui

A sala da sessão fica pertíssimo da nova estação da CP. O acesso a partir de Porto ou Aveiro é fácil, mesmo para quem não viaja de automóvel. De comboio urbano, fica por 2,40 Eur ida e volta a partir do Porto, e por 4,30 de e para Aveiro. Para visualizar horários dos comboios urbanos para Espinho a partir do Porto ou Aveiro, clicar aqui

Sessão aberta a todos, com possibilidade de espontâneos na parte final. Apareçam, se puderem.

02 outubro 2008

POESIA E MÚSICA - VICTOR JARA

4 de Outubro (este Sábado) - 21.30 h
Café-Concerto da ESMAE

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Porto, Rua da Alegria
(junto à Rampa da Escola Normal)
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ENTRADA
LIVRE
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(clicar no cartaz para ver maior)
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Trata-se de um espectáculo de música e poesia, no qual vou participar juntamente com amigos do AJA-Força, grupo de intervenção poético-musical da AJA - Norte. Quem puder ou quiser, dê um saltinho até lá, a entrada é gratuita. Apareçam!

Para ver mapa do local e contactos (endereço e telefone) clicar aqui


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